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FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM
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Ao serviço dos galveenses

 

A 04 de Julho de 1956 era criada na vila de Galveias a Fundação Maria Clementina Godinho de Campos. Uma iniciativa exemplar de solidariedade cristã que se ficou a dever, antes de mais, ao espírito de reconhecida bondade de D. Ana de Jesus Godinho de Campos, a qual contou, desde o início, com o franco apoio dos seus irmãos, Manuel Marques Ratão Júnior e José Godinho de Campos Marques.

Com a nova Fundação pretendia-se dar apoio sobretudo aos idosos nas diversas vertentes que a solidariedade comporta, com particular incidência no campo da saúde, mas a sua ação devia estender-se, em termos mais gerais, a toda a população de Galveias.

Pelo grande carinho e elevada consideração que os fundadores nutriam pela sua mãe, decidiram dar o nome de Maria Clementina Godinho de Campos à promissora instituição e que muito viria a honrar a ilustre Família Marques Ratão e a vila de Galveias.

Como sucedeu com outras fundações criadas na área da Arquidiocese de Évora, também neste caso, resolveram os fundadores propor ao Arcebispo de Évora, na altura, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, que assumisse na mesma, especiais responsabilidades, designadamente a presidência do Conselho de Administração.

Tendo em conta os seus altos objetivos, que se harmonizavam com o espírito de serviço desinteressado que deve nortear a ação da Igreja, entendeu aquele ilustre prelado aceitar o honroso convite sem quaisquer interesses ou proveitos materiais, mas apenas pelo desejo de poder ser útil a uma comunidade integrada na sua Arquidiocese. Esta aceitação viria depois a ser confirmada pelo seu sucessor, D. Manuel Trindade Salgueiro.

Durante cinquenta anos foi possível, com a ajuda de Deus, dar cumprimento ao que foi o magnífico sonho de uma Senhora galveense e da sua Família.

E, se em alguns momentos mais turbulentos da história de Portugal, nas últimas décadas, puderam surgir dificuldades e sofrimentos, é agradável verificar que o espírito de paz e de comunhão acabou sempre por prevalecer e que nesta celebração jubilar do 50.º aniversário, é legítimo olhar o futuro com esperança.

Évora, julho de 2007

Maurílio de Gouveia, Arcebispo de Évora

O nascimento da Casa Agrícola Marques Ratão

 

O mês de junho encerra para a vila de Galveias um conjunto de datas importantes. O casamento entre Manuel Marques Ratão e D. Maria Clementina Godinho de Campos a 13 de Junho de 1876, marcou definitivamente a história da vila de Galveias. Com José Godinho de Campos Marques, todo um projeto da família Marques Ratão / Godinho de Campos se transforma na grande utopia de um homem e na epopeia que conseguiu empreender. Do matrimónio entre Manuel Marques Ratão e D. Maria Clementina Godinho de Campos, ambos menores, tendo ela recebido inclusivamente licença Papal, que decorreu na Igreja Paroquial de S. Lourenço, em Galveias, celebrado pelo padre Silvério Mendes Ventura, nasceu uma das maiores casas agrícolas do Alentejo e do País, a Casa Agrícola Marques Ratão. Um património construído da seriedade e do trabalho aplicados na gestão dos negócios. Uma fortuna sem tiques de novo riquismo, uma filantropia de contornos singulares, um património ao serviço de um povo.

Apesar de perfilharem laços familiares, D. Maria Clementina Godinho de Campos, natural de Galveias, uma mulher encantadora, bondosa, protetora e Manuel Marques Ratão, nascido também em Galveias, um homem inteligente, metódico, talhado para a agricultura, foram as sementes de cinco Seres Humanos de formação cristã, de espírito cândido e de alma pura. Do casamento nasceram: João Godinho de Campos, Ana de Jesus Godinho de Campos, Manuel Marques Ratão Júnior, José Godinho de Campos Marques e Mário Godinho Campos.

José Godinho de Campos Marques marcou com o seu nascimento e também com o seu falecimento. Aconteceram ambos durante o mês de junho, o pulsar da vida de Galveias. Mas as coincidências, os marcos históricos para Galveias não se ficam por aqui. No último dia de junho de 1249 a região onde está compreendida a vila de Galveias, foi doada à Ordem de Évora por D. Afonso II.

Cinco vidas com sentido único

 

Entre os cinco filhos, um denominador comum: nenhum viria a contrair matrimónio, nem a deixar descendentes. Alguns com vida curta não deixaram no entanto de ter uma vida preenchida. De todos, Dona Ana de Jesus Godinho de Campos foi a de maior longevidade, tendo o filho primogénito, João Godinho de Campos, um homem talhado para a agricultura, falecido aos 41 anos de idade. Mário Godinho de Campos, o último descendente, faleceu também muito novo, com apenas 45 anos.

Ana de Jesus Godinho de Campos, a única mulher de entre os irmãos, criou uma cumplicidade forte com a progenitora, aliás como todos os outros, ao ponto de ser ela a influenciar o aparecimento de uma Fundação que homenageasse o nome da mãe. Dona Ana de Jesus Godinho de Campos, viria a ser condecorada com a Grã-Cruz e Cavaleiro da Ordem de Benemerência e com a Medalha «Pró Eclesia Et. Pontífice» atribuída pelo Vaticano.

Manuel Marques Ratão Júnior foi o primeiro presidente da Fundação Maria Clementina Godinho de Campos, enquanto que José Godinho de Campos Marques, um homem nuclear na história da família, alterou positivamente o curso da vida de inúmeros galveenses. Mário Godinho de Campos, o mais novo dos irmãos que gostava de esgrima, foi oficial na Marinha de Guerra e licenciou-se em medicina.

Os bens, à medida que os elementos da família iam falecendo, adensavam o vasto património num número cada vez mais restrito de herdeiros. José Godinho de Campos Marques, como último representante da família Marques Ratão / Godinho de Campos, acabou por deixar ao serviço da população a totalidade dos bens herdados, quer através da Fundação Maria Clementina Godinho de Campos, quer através da Freguesia de Galveias, herdeira universal. É assim colocado um ponto final na sequência da linhagem que vinha de D. Afonso II até José Godinho de Campos Marques, como demonstrou em «Os Meus Vaz de Camões», Manuel Rosado Marques Camões e Vasconcelos.

José Godinho de Campos Marques: Um servo de Galveias

 

Uma força da natureza. Um homem frio e inteligente. Um humanista que amou um povo, que sempre pensou mais nos outros do que em si próprio.

José Godinho de Campos Marques desempenhou inúmeros cargos sempre para melhor servir a população da vila de Galveias, destacando-se os de presidente da Junta de Freguesia de Galveias, presidente da Assembleia-Geral da Casa do Povo, presidente vitalício da Fundação Maria Clementina Godinho de Campos, secretário da Santa Casa da Misericórdia, diretor do Clube Manuel Marques Ratão Júnior, diretor da Sopa dos Pobres e administrador da Casa Agrícola Marques Ratão, entre outras funções.

Nos últimos dias de vida, pediu aos seus colaboradores mais próximos que destruíssem muitos dos seus documentos e da família. Objetos pessoais que permaneceram, quase se contam pelos dedos de uma mão. Não pretendia ser recordado por aquilo que foi mas pelo significado do que legou. Preservava a sua intimidade e detestava a devassa. Apenas deixou pequenas exigências: «A Fundação mandará rezar missas de sufrágio nos aniversários natalícios e de falecimento de cada um dos membros da família Marques Ratão / Godinho de Campos» … e deverá conservar o jazigo no «melhor estado de limpeza».

José Godinho de Campos Marques teve um sonho e construiu um projeto. Um projeto sustentado, onde tudo foi pensado ao detalhe. Onde o mínimo pormenor desempenhou um papel fundamental na consolidação de uma sociedade galveense que pudesse usufruir de cuidados de saúde, de apoio social, de momentos culturais e de lazer. Tudo suportado com fontes de financiamento autónomas. Tudo com sentido. Tudo com futuro.

Datas com História

 

Século XIX

21/01/1858:      Nasceu Manuel Marques Ratão

10/08/1858:      Nasceu D. Maria Clementina Godinho de Campos

13/06/1876:      Casamento de Manuel Marques Ratão com D. Maria Clementina Godinho de Campos

25/05/1877:      Nasceu João Godinho de Campos

19/09/1878:      Nasceu D. Ana de Jesus Godinho de Campos

08/04/1885:      Nasceu Manuel Marques Ratão Júnior

10/06/1887:      Nasceu José Godinho de Campos Marques

10/08/1891:      Nasceu Dr. Mário Godinho de Campos

 

Século XX

17/05/1919:      Faleceu João Godinho de Campos

01/03/1936:      Faleceu Dr. Mário Godinho de Campos

19/08/1940:      Faleceu D. Maria Clementina Godinho de Campos

05/01/1947:      Faleceu Manuel Marques Ratão

14/05/1951:      Inauguração da Sopa dos Pobres

14/06/1953:       Inauguração do Mercado Coberto

26/09/1953:      Abastecimento de energia elétrica a Galveias

22/03/1954:      Inauguração do Clube Manuel Marques Ratão Júnior

21/11/1954:      Inauguração do Posto Escolar da Ribeiras das Vinhas

12/02/1955:      Inauguração do Asilo em Galveias

24/02/1955:      Inauguração do Posto Hospitalar Dr. Mário Godinho de Campos

01/03/1955:      Inauguração do Bairro Económico – 19 moradias e urbanização local

04/07/1956:      Criação oficial da Fundação Maria Clementina Godinho de Campos

08/07/1956:      Escritura de doação do património dos instituidores para a posse da Fundação

07/03/1957:      Atribuição a D. Ana de Jesus Godinho de Campos da comenda com o grau de Cavaleiro da Ordem da Benemerência

07/03/1957:      Atribuição a Manuel Marques Ratão Júnior da comenda com o grau de Cavaleiro da Ordem da Benemerência

07/03/1957:      Atribuição a José Godinho de Campos Marques da comenda com o grau de Cavaleiro da Ordem da Benemerência

21/09/1958:      Inauguração do edifício da Junta de Freguesia de Galveias

30/10/1958:      Faleceu Manuel Marques Ratão Júnior

02/07/1959:      Primeiro Testamento de Dona Ana de Jesus Godinho de Campos

22/07/1959:      Inauguração do edifício dos CTT em Galveias

07/08/1959:      Atribuição a D. Ana de Jesus Godinho de Campos da comenda com o grau de Grã-Cruz da Ordem da Benemerência

07/08/1959:      Atribuição a José Godinho de Campos Marques da comenda com o grau de Grã-Cruz da Ordem da Benemerência

08/08/1959:      Inauguração do Patronato de raparigas

06/12/1959:      Atribuição da Condecoração Pontífice “Pró Eclesia Et. Pontífice” a Dona Ana de Jesus Godinho de Campos

02/07/1960:      Inauguração da Esplanada de S. José em Galveias

03/07/1960:      Inauguração do abastecimento público de água a Galveias

08/01/1961:      Inauguração do Bairro para pobres – 24 moradias

16/02/1962:      Faleceu Dona Ana de Jesus Godinho de Campos

00/00/1966:      Inauguração do Posto da Guarda Nacional Republicana em Galveias

12/06/1967:      Faleceu José Godinho de Campos Marques

20/05/1983:      Publicado em Diário da República a Declaração de Instituição Pública de Solidariedade Social da Fundação Maria Clementina Godinho de Campos

09/01/1987:      Extinção da Casa Agrícola Marques Ratão e entregue a gestão do património à Legatária Fundação Maria Clementina Godinho de Campos e à Junta de Freguesia de Galveias

14/07/1990:      Inaugurada a ampliação e modernização do Lar

 

Século XXI

12/04/2004:      Publicado em Diário da República a primeira alteração dos Estatutos da Fundação Maria Clementina Godinho de Campos

28/06/2004:      Aquisição de um apartamento de Férias dos utentes em Quarteira, no Algarve

04/07/2006:      Inaugurada a ampliação do lar em Galveias.